quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O amor como cada um vê

“Sabe aquela história de amor eterno, amor pra sempre? Eu não sei, nunca vivi, mas pelo o que contam, existe, ou já existiu.
Os casamentos de agora não, não podemos usar como exemplo.
Todo mundo tem pressa. Todo mundo quer achar alguém. E acha.
Acha, e se apaixona (ou pensa que se apaixona), namora, 4 meses. Termina. Pronto.
Terminou o amor também. O amor que nunca existiu.
Pessoas não sabem mais diferenciar paixões, amores, encantamentos, desejos.
Tudo é amor, tudo farinha do mesmo saco, e ponto. É mais fácil.
Estou amando, pronto. E é isso que faz nenhum relacionamento durar. Se durar dois anos, foi eterno sim, enquanto durou. Porque nos dias de hoje, nem isso alguns duram.
Eu fico "absurdificada". Sério. Será que ninguém para pra pensar que não é assim? E que enquanto está com alguém só por medo de ficar sozinho, ta perdendo a oportunidade de conhecer realmente alguém que vai se tornar esse “eterno enquanto durou”?
Ta, eu não to dizendo pra não se aproximar mais de ninguém, não se apegar, não namorar. Não é isso.
Mas parar pra pensar, se é realmente isso que quer. Se vale a pena. Se você gosta de verdade, se você esta apaixonado, ou se você está encantando.
Encantado. Isso. É essa a palavra certa.
Encantamos-nos com as pessoas. Ou com a imagem que pintamos dela. Não importa.
Mas esse encantamento tem dois caminhos (e isso eu aprendi por experiência própria), ou ele se torna uma paixão, ou ele termina.
Sim, porque muitas vezes nos encantamos pelo que pensamos dessa pessoa, ou pela imagem que criamos dela. E quando começamos a conhecer seus defeitos, suas manias, seus segredos, seus mistérios, é que tiramos a “prova real” (igual matemática, todo mundo sempre diz que amor é matemática, não é?) desse encantamento.
Sim, eu explico essa “prova real”. Ou nos decepcionamos, porque descobrimos que a pessoa não é aquela imagem perfeita que fizemos dela (por mais que saibamos que não existe perfeição, sempre temos essa idealização), ou então, a segunda opção: aceitamos ela, assim mesmo, com todos seus defeitos, e suas imperfeições. E esse encantamento, dura, perdura, modifica, e aí sim, podemos dizer que estamos apaixonados.
Só estamos realmente apaixonados quando aprendemos a aceitar o outro com tudo que ele traz com ele, inclusive suas imperfeições.
E é por isso que dizemos não existir mais “amores eternos”. É muito mais fácil jogar para escanteio, e procurar outro. Sempre com aquela esperança, “esse não vai ser igual o Fulano; não vai me trair igual o Beltrano..”.
Pode ser realmente que não faça isso. Mas vai fazer outras coisas, vai cometer outros erros, e vai ser sempre assim.. Comigo, contigo, com todos nós.
E essa felicidade que tanto buscamos, esse “amor até que a morte nos separe”, só vai se tornar realidade quando aprendermos a aceitar nossos defeitos, e conviver com eles, e com todos os outros.”

"É que ser feliz da medo. Você é a minha palavra mais bonita. O verbo mais seguro. Meu amor com reticências. Um dia você vê a sua vida deitada ao lado de outra. Fecha os olhos sorrindo e pensa é-tudo-isso-que-eu-queria. Porque a gente nunca sabe ao certo o que quer, até estar ali naqueles braços. Então lá você se acha. E, quando se acha, quer se perder. Ficar ali. Morar no abraço. Deitar no beijo. Descansar ao som da voz. Contar as angústias para aquele Olhar Maracujina, aquele que acalma, traz conforto, segurança. Olhar que traz vida. E faz você ser novo, outro."

Clarissa Corrêa

Inquietações


"Eu quero tanto, eu penso tanto, eu tenho tanto.
É uma turbulência de sentimentos.
E eles tentam escapar por todos os lugares;
olhos, orelhas, mãos, boca, e ás vezes até cotuvelos. Eles insistem.
E o coração, apertado, salta; quer falar, de todo o jeito. E ele cria coragem, enfrenta, e quando vai para se manifestar.. a razão pula em sua frente: "Volta já pro teu lugar".
E ele se aquieta, pequeno, fraco, e com medo, volta pro seu cantinho.
E a razão toma conta de novo. E o cérebro concorda. E o coração sem forças para se manifestar. E os sentimentos burbulham.
E depois se aquietam e esperam o coração se recuperar.
Para mais uma vez, tentar falar.
Enquanto a razão continua comandando tudo e todos.."