Assim como o amor, o ódio é construído e fortalecido com o tempo, através da convivência. E o que nos faz sentir um ou outro é o modo como à pessoa age. Ninguém nasce amando ou odiando alguém. Os dois sentimentos são decorrentes de algum fator externo que possam nos ter provocado. Sejam eles positivos ou negativos.
A antipatia e o encantamento, diferentemente do amor e do ódio, são gerados gratuitamente. Existem pessoas que nos cativam assim que as conhecemos e outras pelas quais não sentimos vínculo nenhum de afeto ou simpatia. Mas, para odiarmos alguém é preciso mais do que uma simples antipatia, é necessário que algo tenha acontecido: uma palavra mal colocada, um desafeto, uma ofensa, uma decepção, uma mágoa guardada. O mesmo acontece para amarmos alguém. Não amamos pelo simples gosto de amar, amamos pelo o que a pessoa nos causa, pelo o que a pessoa nos faz sentir. Amamos por um abraço, por um sorriso, por uma mão estendida.
Se perguntássemos para algumas pessoas qual o contrário do amor, a maioria responderia, sem cogitar: ódio. Resposta errada. O contrário do amor é a indiferença. Para alguém nos ser indiferente, não precisamos de nada. Mas para odiar ou amar alguém, precisamos reconhecer que essa pessoa existe e que nos causa sensações.
Ódio e amor, na verdade, não são sentimentos distintos, contrários. São feitos da mesma “matéria”, nos trazem as mesmas sensações. Causam-nos palpitações, nos tiram noites de sono, nos fazem agir por impulso e nos pausa o raciocínio. Amor e ódio andam juntos, caminham lado a lado e habitam o mesmo universo.









